Clóvis, Dedeco, Pedro, 30 anos depois. Still crazy, after all these years.

Escrito por clovis heberle às 23h22
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NA BOLÉIA DE UM CAMINHÃO
Aquele sotaque me chamou a atenção. O caminhoneiro sentado na banqueta da lanchonete que pedira um bauru só podia ser gaúcho.
Já tínhamos almoçado, e depois dos meus agradecimentos e das despedidas fiquei perto da porta observando o cara. Estava acompanhado de um colega, e os dois se encaminharam para dois caminhões estacionados perto do posto. Olhei as placas: eram do Rio Grande do Sul. Sim, estavam indo para Porto Alegre. Sim, me dariam carona até lá. E me fizeram uma proposta de, digamos, trabalho. Em troca do transporte e da alimentação, eu teria que mantê-los acordados durante o trajeto. Estavam vindo de Recife, e teriam que chegar até a noite do dia seguinte para entregar a carga. Se sentiam muito cansados, dirigindo até 18 horas por dia, e temiam cochilar ao volante e se acidentar.
Foi uma maratona contra o sono. De três em três horas eu trocava de caminhão. E conversava sem parar, para manter a atenção dos motoristas. Ouvi as histórias deles – a saudade de casa, os problemas de relacionamento com a mulher e os filhos por causa das ausências prolongadas, as exigências cada vez maiores das empresas para a entrega das cargas em prazos curtos, mesmo que isto significasse jornadas de trabalho extenuantes.
Admirando a paisagem vista da boléia, contei a eles a história da minha vida - a infância em Três Passos, lá no noroeste do Rio Grande, perto da fronteira com a Argentina. As pescarias com amigos nos riachos das redondezas; os piqueniques de fins de semana com a família nos rios Turvo e Uruguai; a vinda para Porto Alegre, aos 13 anos de idade; a militância no POC, o Partido Operário Comunista, ainda na escola secundária; o vestibular de Jornalismo e, claro, as aventuras dos últimos meses.
No primeiro dia viajamos 12 horas, só parando para dormir à uma da manhã. Me acomodei embaixo da lona de um dos caminhões com o meu “space blanket”, o cobertor de astronauta. No dia seguinte, mais 11 horas de estrada e chegamos, sãos e salvos.
No portão da casa de meus pais, a música do Roberto Carlos que tanto me emocionara da rodoviária do Rio ainda ressoava nos meus ouvidos:
Debaixo dos caracóis dos teus cabelos,
uma história para contar, de um mundo tão distante...
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos Um soluço e a vontade De ficar mais um instante
Escrito por clovis heberle às 22h12
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PICO DAS AGULHAS NEGRAS

Com 2791,55 metros de altura, é a quinta montanha mais alta do Brasil. O parque nacional de
Itatiaia fica entre os estados do Rio, São Paulo e Minas Gerais, na Serra da Mantiqueira.
Escrito por clovis heberle às 00h46
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DE VOLTA À ESTRADA
Sol, calor, cheirinho de café, de Brasil. Voltei à estrada descansado, animado. Só 1.500 quilômetros me separavam de Porto Alegre. Passou meia hora e nada de alguém me dar carona. Ninguém parava. Os motoristas fingiam não me ver. Aí tive uma idéia: com a mão direita agitava o polegar e com a esquerda mostrava o passaporte. Deu certo. Uma camionete com quatro rapazes parou. Eles estavam indo acampar no parque nacional de Itatiaia, onde fica o Pico das Agulhas Negras, e poderiam me deixar em Resende, a 300 quilômetros dali, de onde subiriam para as montanhas.
Cariocas, de classe média alta, estudantes universitários em férias, acharam muito divertida a minha história. Conversamos animadamente, e as quatro horas de viagem passaram rápido. Paramos para abastecer perto de Resende, e no posto havia um restaurante com o estacionamento lotado. Bom sinal. Passava do meio dia, e eles decidiram almoçar ali. “Você é nosso convidado, deve estar com saudade da comida brasileira”.
Filé com fritas, arroz, feijão, salada de alface, tomate e cebola, cerveja Brahma. O paraíso...
Escrito por clovis heberle às 00h31
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